Representações Mediáticas de Género e Públicos Sensíveis

Nas sociedades contemporâneas os media desempenham um papel de agência na mudança de mentalidades ao nível da marcação de agendas e definição de temáticas. A globalização da comunicação, que caracteriza o mundo atual, amplifica o risco de homogeneização das construções pela confluência de factos provenientes dos fluxos internacionais. Ora desde a segunda metade dos anos 1990 que os estudos evidenciam representações estereotipadas de género, sobretudo quando se trata de grupos sociais sobre os quais os media privilegiam a exposição de uma factualidade negativa.


Este projeto, coordenado por Maria João Cunha e Carla Cruz, tem como objetivos principais: 1) compreender que mensagens os media sugerem às audiências contemporâneas sobre género nas notícias sobre públicos designados sensíveis por terem uma expressão minoritária face às temáticas mais habituais da atualidade informativa; 2) explorar os significados que diferentes audiências atribuem às mensagens veiculadas pelos media na construção das suas representações sociais de género.
Os públicos sensíveis, de acordo com a definição da ERC (http://www.erc.pt/documentos/Conf_08/EMCS/EMCS-Intr.pdf) são “os que encontram, por motivos de ordem política, económica ou social, por incapacidades cognitivas ou por vulnerabilidade física, dificuldade em aceder ao espaço público e exercer plenamente a sua cidadania” (p. 6). Os públicos considerados neste projeto incluem os nomeados pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social: a) crianças e jovens, b) idosos, c) imigrantes – aqui considerando de uma forma mais abrangente as minorias étnicas. Incluímos ainda três outros públicos, designadamente: d) as comunidades LGBT ou, ainda mais diversas, LGBTQPIA: Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgénero, Queer, Questioning, Pansexual, Intersexuais, Assexuais, Ally (Stringer, 2013); e) as pessoas com deficiência, onde incluímos ainda as pessoas com doenças crónicas e f) as mulheres, porque importa verificar de que modo a sua crescente participação na vida pública a todos os níveis se reflete na importância que lhes é atribuída pelas notícias e em que medida se promove a ideia genérica de igualdade de género.
Optámos pela Imprensa por ainda ser o meio com maior efeito de agenda-setting junto dos públicos e por oferecer maior contextualização e profundidade dos factos, apesar do exponencial consumo dos meios digitais. 

Consideramos este projecto relevante na vertente da Sociologia da Comunicação, pois um maior e melhor conhecimento das representações mediáticas de género nos grupos enunciados e das suas influências, enquanto construções sociais, pode contribuir para se repensarem estratégias quer ao nível das políticas públicas como das posições académicas feministas.